segunda-feira, 26 de julho de 2010

Uma menina maluquinha

Era uma vez uma menina maluquinha. Sempre levava tudo na brincadeira, sempre ria de todas as coisas sérias.Até que um dia ela perdeu alguém muito importante, alguém que lhe amparava e dava asas às suas loucuras.E diante desta perda, a menina maluquinha teve que crescer. Ela se via só, sem ter com quem compartilhar suas idéias brilhantes e mirabolantes. Ela se via sem ter pra quem mostrar o seu sucesso, e decidiu que ele não lhe era mais útil. Desanimada e sem perspectivas, a menina caminhava pelas ruas e becos de sua cidade, como se estivesse sempre acompanhada, mas na verdade, ela caminhava sozinha com suas memórias e lembranças dos dias maravilhosos que já havia vivido. Sem ter como seguir em frente, ela subiu uma grande montanha, e lá do topo, ela olhava os outros seres humanos, como eles caminhavam felizes e então ela se sentou numa pedra, e disse para si mesma que ela ficaria com aquela pedra até o fim de seus dias. E os anos se passaram. Às vezes muito sol, outas, muita chuva. A pedra começava a criar limo, e a menina escorregava ao chão vagarosamente, tentando se segurar à única coisa que ela achava que era sua. A pedra. Sem ter mais forças, ela despencou e rolou até o pé da montanha. Ouvindo aquele barulho, alguém se aproximou e então a viu desfalecida no chão frio, com muitas feridas no corpo por conta da queda, esse alguém a levou para casa, cuidou dela por vários dias, até que ela acordou. Sentindo algo muito quente, ela abriu os olhos, e assustada, se descobriu aquecida e carinhosamente assistida por um homem com a barba por fazer e olhos bem negros que estava a beira de seu leito. Então ele contou que ouviu um barulho, e decidiu  ver o que havia acontecido, e chegando lá, a encontrou, e a levou para casa. Este homem contou lhe sua história. A decepção com os seres humanos havia tirado dele as únicas pessoas com quem ele tinha apreço, e então, ele resolveu estabelecer sua residência no pé dessa montanha. Ela ouvia atentamente, e então, ele a convidou para ficar em sua casa. Eles viveram juntos por muito tempo. E um dia esse homem saiu para colher frutos, e acabou encontrando uma tempestade. Ele ficou muito febril, e acabou por falecer, antes de seu último suspiro, este homem disse a menina que ela não deixasse que a vida fosse cruel com ela, e acabasse como ele. E depois de ver mais uma vez seu melhor amigo partir, ela pegou uma mochila velha e alguns agasalhos e cachecóis e saiu, olhou para trás apenas uma vez, pois sabia que a vida iria lhe sorrir a partir de agora, pois ela havia sorrido para a vida outra vez.

Um comentário:

  1. Laísa,
    E porque falas de amor, pousei aqui no canto de teu aposento.
    Trago um anseio de enlaçar outros mundos ao meu mundo virtual.
    Gosto dos poetas e poetisas pelo dom que carregam de desnudarem outras dimensões...
    A blogosfera sempre aproximando as pessoas, às vezes tão distantes, confirmando o que Marshall McLuhan nos anos 60 já preconizava: a Aldeia Global. O progresso tecnológico proporcionando a intercomunicação direta com qualquer pessoa do planeta, o mundo ali na esquina de casa... As distâncias encurtadas, a possibilidade da emergência de uma consciência global que solidarize as pessoas de regiões diferentes, numa dimensão que suplantadas as questões étnicas e religiosas, emergindo a percepção que o planeta Terra é a superfície e habitat da nossa “Aldeia Global”, por isso, economia e ecologia lado-a-lado, o que acontece na China repercute aqui na Amazônia... Todos no mesmo barco.
    Para temperar minhas palavras, diante do espetáculo do novo, esse mundo, essa cidade virtual que assusta, mas que insiste em pulsar diante de nós, ainda que a ansiedade nos arrebate diante desse admirável mundo novo, como o poeta Carlos Drummond, vou tateando o novo, assustado, às vezes, mas sem esconder que ao aproximar-me... quero me lançar impudoradamente aos seus encantos, leio Drummond:

    “Escuto vocês todos, irmãos sombrios.
    No pão, no couro, na superfície
    macia das coisas sem raiva,
    sinto vozes amigas, recados
    furtivos, mensagens em código.” (Carlos Drummond de Andrade)

    Espero enlaçar-te ao meu mundo virtual.
    www.blogdopedronelito.blogspot.com

    Abraços,
    Pedro

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' apreciadora das artes de toda espécie, praticante da fé, dependente do amor.